Projeto Pedagógico

INFORMAÇÕES SOBRE O PROJETO PEDAGÓGICO DO CURSO DE PSICOLOGIA – CURRÍCULO 8506

 

1. A formação por competências e habilidades

O longo debate e a conseqüente aprovação das Diretrizes Curriculares em 2004 intensificaram uma onda de reformas curriculares em vários cursos de Psicologia no Brasil. Dentre as várias mudanças importantes que ocorreram, destacamos duas. A primeira foi um equilíbrio maior entre diferentes domínios da Psicologia, através de um “núcleo comum”, rompendo com a hegemonia oficiosa da clínica como eixo maior dos cursos e afirmando a dimensão generalista na formação. A segunda foi uma aproximação maior dos alunos com diversificadas práticas de estágios, desde os períodos iniciais do curso, rompendo com a seqüência teoria e aplicação, afirmando desde o começo a relação dinâmica de retroalimentação entre práticas e teorias. Temos visto nesses últimos anos, portanto, mudanças curriculares que agregaram à formação uma fundamentação mais equilibrada e diversificada, além de uma presença mais instigante das práticas como elementos mais organicamente próximos das discussões teóricas. 

Apesar das várias críticas recebidas, a educação por competências é hoje um movimento internacional. Ela se caracteriza pela ênfase nas estratégias de ensino que visam, mais que transmitir conteúdos, desenvolver habilidades e condições que reduzam a distância entre o mercado de trabalho e a formação escolar. Conceber um currículo por competências e habilidades é definir um caminho que leve o estudante ao encontro do conhecimento, por meio de procedimentos claramente definidos, com atenção ao que é próximo, distante, subsidiário e focal.

A construção desta nova proposta curricular para o curso de Psicologia da PUC Minas no São Gabriel visa então introduzir mudanças na maneira como tem sido pensada a formação em Psicologia. Essa mudança desloca o eixo dos cursos, até então estruturado na transmissão de conteúdos pré-definidos, para a produção de “saberes em uso”; o que torna a busca da interação, entre práticas de estágios e atividades de sala de aula, um objetivo fundamental.

Considerados esses aspectos, projetamos um currículo cujo norte maior é a transversalidade, que propicie na formação uma associação entre práticas e conceitos, rompendo com um modelo de curso no qual a teoria garante a fundamentação da prática e esta se torna espaço de ilustração da primeira, sem promover verdadeira produção de conhecimento. Não se trata somente de alteração de disciplinas e conteúdos, mas de uma mudança radical, ou seja, é necessário que sejamos capazes de formar profissionais atendendo às transformações sociais e proporcionando o desenvolvimento de competências e habilidades a serem utilizadas no diagnóstico, em proposições e na atuação profissional, tanto no decorrer do curso quanto na inserção profissional, em diversos campos, ao longo da vida. A ênfase na relação ensino-aprendizagem desloca-se da transmissão de conhecimento para a construção de habilidades e competências; construção pela qual são responsáveis professor e aluno. Quando o ensino é vivido não mais como mera responsabilidade do professor, o aprender passa a ser visto, também, como a capacidade de realizar atividades transformadoras e de atuar profissionalmente com competência para modificar a realidade. Visa-se, pois, à transformação de conhecimentos em formas de atuação.

2. O perfil do egresso

O curso de Psicologia da PUC Minas visa formar um psicólogo capaz de compreender o campo dos fenômenos e processos psicológicos, considerado em sua pluralidade de objetos, métodos, teorias e técnicas, e de atuar profissionalmente na promoção do desenvolvimento e da saúde psíquica de pessoas, grupos, organizações, comunidades e coletividades, por meio de ações preventivas e intervenções psicossociais, psicoterapêuticas e educativas. Ainda, um psicólogo que sustente suas intervenções em princípios éticos e científicos; um profissional comprometido com seu tempo e com a construção de uma sociedade igualitária, plural, democrática e justa; defensor intransigente das condições para o pleno exercício da cidadania; profissional comprometido com a ética e com a interface da Psicologia com outros campos e áreas do conhecimento, garantindo o diálogo inter, multi e transdisciplinar.

 

3. As ênfases do curso

As Ênfases Curriculares estão propostas nas Diretrizes Curriculares com o objetivo de explorar, com maior atenção, alguns aspectos dessa pluralidade teórica, metodológica e contextual, trazida pela característica generalista do Núcleo Comum. Nesse sentido elas devem assegurar uma “concentração em um domínio”, porém de modo abrangente, “para não configurarem uma especialização em uma prática, procedimento ou local de atuação do psicólogo”, rompendo com a clássica categoria de “áreas de atuação”. A idéia mais forte presente é a de ênfases que atravessem transversalmente as diversas áreas de atuação e locais de trabalho. Finalmente, as ênfases devem permitir, face à “diversidade de orientações teórico-metodológicas”, uma “concentração de estudos e estágios em algum domínio da Psicologia” (BRASIL, 2004, § 10), apostando em uma formação, ao mesmo tempo, generalista e plural.

 

      As ênfases serão:

  • Gestão, processos de subjetivação e instituições: Gestão de processos de trabalho e subjetivação em diferentes contextos institucionais. Construção e implementação de diagnósticos e intervenções.

  • Cuidado, processos psicossociais e saúde: Ações de cuidado e promoção da saúde em diferentes contextos. Construção de estratégias de diagnóstico e intervenção clínica e psicossocial.

 

4. A importância da flexibilização curricular

Segundo a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) é desejável proporcionar ao aluno uma formação ampla, diversificada e, ao mesmo tempo, flexível. Para isso, os cursos de graduação devem oferecer, além de fundamentação sólida em sua área de conhecimento específico, oportunidade para complementar sua formação, beneficiando-se do conhecimento produzido e transmitido na Universidade e de outras atividades que também concorrem para a formação profissional. Deste contexto emerge o conceito de Atividades Complementares de Graduação.

Atividades Complementares de Graduação são todas as atividades que contribuem para a complementação do processo de ensino-aprendizagem, reconhecidas e aceitas pela Instituição para compor o plano de estudos do aluno, em determinado curso. No curso de Psicologia, essa prática já ocorre entre alguns alunos que, de acordo com seus interesses e disponibilidade de recursos, buscam complementar sua formação participando de projetos de pesquisa e extensão, de eventos científicos, estágios não-obrigatórios; isso, porém, acontece informalmente e não tem sido computado para integralização de currículo.

O Projeto Pedagógico do curso de Psicologia reconhece a contribuição dessas atividades para a formação do psicólogo, formalizando essa flexibilização na figura das atividades complementares. Relacionamos, a seguir, as atividades reconhecidas como potencialmente complementares da formação do psicólogo.

  1. Matrícula em disciplinas oferecidas em outros cursos da Universidade, tanto presencial quanto virtual, com especial destaque para Estatística e disciplinas que fomentem o aprimoramento da escrita acadêmica e a formação cultural;

  2. Participação em ações de extensão universitária (projetos, programas, eventos, cursos, prestação de serviços e publicação);

  3. Participação em projetos de pesquisa;

  4. Publicação de artigos ou de resumos expandidos em anais de congressos ou periódicos;

  5. Apresentação de trabalhos em eventos científicos de Psicologia ou áreas afins;

  6. Participação em eventos científicos de Psicologia ou áreas afins;

  7. Curso de idiomas;

  8. Mini cursos oferecidos em eventos científicos;

  9. Disciplinas já cursadas e sem equivalente no currículo vigente;

  10. Atividade de monitoria;

  11. Realização de estágio não-obrigatório;

  12. Outras atividades não previstas e que poderão ser avaliadas pelo Colegiado.

 

Critérios para o aproveitamento das atividades complementares de graduação

Atividades complementares

Horas (máximo)

 Instrumento para avaliação
 Disciplina de outro curso O aluno poderá cursar um número ilimitado de disciplinas. Comprovação pelo histórico escolar emitido pelo CRA-PUC Minas.
 Participação em atividades de extensão Até 64 horas pela participação em projetos ou programas de extensão, prestação de serviços e apresentação de trabalho em evento. Até 32 horas para participação em eventos e cursos. Relatório das atividades desempenhadas em ações extensionistas, com avaliação do orientador ou responsável pela atividade extensionista.
 Participação em projetos de pesquisa  32 horas por participação, até 64 horas. Relatório das atividades desempenhadas no projeto, com avaliação do orientador ou responsável pela pesquisa.
Publicação de artigos ou resumos expandidos 32 horas por resumo, até 96 horas. Cópia da publicação nos anais de um congresso ou em periódico.
 Apresentação de trabalhos em eventos científicos  16 horas por apresentação, até 32 horas. Apresentação do certificado de apresentação de trabalho no evento e cópia do trabalho apresentado.
Participação, como ouvinte, em eventos técnico-científicos.  8 horas por participação, até 16 horas. Apresentação de certificado de participação no evento.
 Realização de estágios não-obrigatórios  32 horas por estágio, até 64 horas. Quando não substituírem os estágios curriculares e apresentado o certificado de participação com especificação da atividade
Curso de idioma  Até 64 horas, em função do número de horas do curso de idiomas, a serem determinadas pelo Colegiado. Apresentação de certificado de realização do curso
Disciplina já cursada O número de horas será equivalente ao da disciplina cursada. Verificado o histórico escolar
Atividade de monitoria O número de horas será equivalente às horas de monitoria. Apresentação de certificado de realização da monitoria
Mini cursos oferecidos em eventos científicos O número de horas será equivalente às horas do mini curso. Apresentação de certificado de realização do mini-curso

 

As atividades serão analisadas pelo Colegiado do curso, ouvidos professores e coordenadores das áreas específicas. Situações não previstas serão avaliadas pelo Colegiado que ficará responsável pela aprovação das mesmas e inclusão, no quadro acima, se julgadas pertinentes.